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A grandiosa visão mitológica do Ragnarök a destruição das divindades nórdicas e o renascimento de um novo mundo eternizada na monumental ópera de Richard Wagner.
Escrito por Marco Antônio Seta
"Tannhauser", de Richard Wagner cena do Ato II
28 a 30 mai – Osesp apresenta programa dedicado a Wagner sob regência de Marc Albrecht
A Fundação Osesp e o Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas, apresentam mais um programa da Temporada Osesp 2026. Entre os dias 28 e 30 de maio, a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo realiza concertos inteiramente dedicados à obra de Richard Wagner, sob a regência do maestro alemão Marc Albrecht, tendo como convidada o soprano estoniana Aile Asszonyi.
Reconhecido internacionalmente por suas interpretações do repertório tardorromântico, Marc Albrecht retorna à Osesp para conduzir um programa centrado em uma das especialidades de sua trajetória artística: a música de Wagner. O maestro esteve durante uma década à frente da Ópera Nacional da Holanda e consolidou-se como um dos mais respeitados intérpretes do compositor alemão na atualidade.
A primeira parte do concerto reúne três importantes aberturas orquestrais de diferentes períodos da produção wagneriana: o Prelúdio de Lohengrin, a Abertura de Os mestres cantores de Nuremberg e a célebre Abertura e Bacchanale de Tannhäuser. Nessas páginas, Wagner transcende a função tradicional das aberturas operísticas, criando verdadeiros poemas sinfônicos condensados, nos quais já se anunciam os conflitos dramáticos, psicológicos e simbólicos de suas óperas.
“Götterdämmerung” é uma expressão alemã que significa literalmente “Crepúsculo dos Deuses”. O termo se refere ao episódio final da mitologia nórdica conhecido como Ragnarök, uma grande batalha apocalíptica que conduz à destruição do mundo e ao fim das antigas divindades. Após esse cataclismo, segundo a tradição mitológica, surge um novo mundo renovado.
A expressão tornou-se amplamente conhecida também por ser o título da última ópera do ciclo O Anel do Nibelungo, de Richard Wagner, na qual o compositor utiliza essa ideia simbólica de decadência, destruição e renascimento.
Na segunda parte do programa, o soprano Aile Asszonyi interpreta uma seleção de trechos de O crepúsculo dos deuses, obra que encerra o monumental ciclo O anel dos Nibelungos. Desenvolvido ao longo de quase três décadas, o ciclo teve sua estreia integral no Festival de Bayreuth de 1876, tornando-se um marco definitivo da história da ópera e da concepção wagneriana de “obra de arte total”.
Ao articular prelúdios, aberturas e excertos de diferentes dramas musicais, o concerto evidencia a unidade estética da linguagem de Wagner, revelando como sua escrita orquestral antecipa, comenta e transforma continuamente o discurso dramático. Mais do que uma sucessão de páginas célebres, o programa propõe uma experiência de escuta em que mito, tempo e música se fundem em uma dimensão ritualística e profundamente simbólica.
Fundada em 1954, a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo consolidou-se como uma das principais instituições culturais da América Latina. Seus diretores musicais foram Souza Lima, Bruno Roccella, Eleazar de Carvalho, John Neschling e Yan Pascal Tortelier. Atualmente dirigida por Thierry Fischer, a orquestra mantém intensa atividade artística, educacional e internacional, realizando temporadas regulares na Sala São Paulo e turnês pelo Brasil e exterior.
PROGRAMA
- Richard Wagner — Lohengrin: Prelúdio
- Richard Wagner — Os mestres cantores de Nuremberg: Abertura
- Richard Wagner — Tannhäuser: Abertura e Bacchanale
- Richard Wagner — O crepúsculo dos deuses: Seleção
SERVIÇO
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