Apresentada inicialmente de forma privada em 14 de novembro de 1824, durante o aniversário de sua irmã, a compositora e pianista Fanny Mendelssohn (1805–1847), a sinfonia teve sua estreia pública em 1º de fevereiro de 1827, com a Orquestra do Gewandhaus de Leipzig. Curiosamente, Mendelssohn a concebera, aos 15 anos de idade, como uma possível décima terceira sinfonia, antes de redefini-la como sua primeira, após o acréscimo do naipe de madeiras, metais e tímpanos. Anteriormente a sinfonia foi escrita como pura sinfonia para cordas.
A obra estabelece uma ponte expressiva entre o Classicismo e o nascente Romantismo, dialogando de modo implícito com o legado da Sinfonia nº 9 de Ludwig van Beethoven, também estreada em 1824. A interpretação da OSESP destacou-se pela fidelidade ao espírito original da partitura: no primeiro movimento, allegro di molto, chamou atenção a sustentação de uma longa nota pelas trompas, criando uma atmosfera de expectativa particularmente eficaz na coda. Já no quarto movimento, allegro con fuoco, sobressaiu o solo de clarinete acompanhado pelas cordas em pizzicato, posteriormente retomado pelo oboé, com apoio dos fagotes. A conclusão deu-se de forma festiva, com a fuga reafirmada na coda pelos trompetes e tímpanos.
Na segunda parte, o programa apresentou o balé completo O Pássaro de Fogo, de Igor Stravinsky. Estreada em 25 de junho de 1910, no Teatro da Ópera em Paris, com coreografia de Mikhail Fokine e direção musical de Gabriel Pierné, a obra permanece como uma das mais célebres do compositor. Mlle. Karsavina representou e dançou o Pássaro de Fogo, Fokine representou Ivã Tsarevich e Bulgakov, o imortal Kastchei.
A partitura distingue-se por sua rica e detalhada instrumentação, composta por: piccolo, 4 flautas, 3 oboés, corne-inglês, 3 clarinetes, requinta, clarone, 3 fagotes, 2 contrafagotes, 4 trompas, 6 trompetes, 3 trombones, tuba, tímpanos, percussão variada, celesta, 3 harpas, piano e cordas. O próprio Stravinsky elaborou posteriormente três suítes orquestrais derivadas do balé: em 1911, em 1919 e, por fim, em 1945, sendo esta última, no que concerne ao efetivo instrumental, bastante próxima da versão de 1919.
A execução da OSESP evidenciou o rigor e o preparo do conjunto sob a batuta de Thierry Fischer, proporcionando momentos de verdadeiro êxtase ao público presente. A oportunidade de ouvir a versão integral deste célebre balé, aliada ao elevado nível técnico e expressivo da orquestra, consolidou uma apresentação de notável impacto artístico, reafirmando o papel da OSESP como um dos principais corpos sinfônicos da atualidade.
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