BRAHMS, ENTRE O CONSOL0 E A HUMANIDADE: OSESP APRESENTA O MONUMENTAL “RÉQUIEM ALEMÃO” NA SALA SÃO PAULO

Sob regência de Dinis Sousa, a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo reúne grandes forças corais e os solistas Louise Foor e Vitor Bispo em uma interpretação da obra-prima humanista de Johannes Brahms, em diálogo com a espiritualidade contemporânea de Wolfgang Rihm

    Escrito por Marco Antônio Seta

                  Johannes Brahms ( Hamburgo, 1833 - Viena, 1897 )                   

“Brahms não era religioso, no sentido estrito do termo. Mas aprovava a ética cristã como um conjunto de regras de comportamento e tinha um profundo respeito pela literatura bíblica, cujas imagens organizou de modo a celebrar muito mais o amor pela vida do que o medo da morte e o sentimento religioso convencional de que a redenção vem através do sofrimento. Tanto que, a Carl Reinthaler, o organista da catedral de Bremen que o ajudou a preparar a estreia da obra, ele contou que chegara a pensar em intitulá-la Um Réquiem para a Humanidade.” A observação do musicólogo Lauro Machado Coelho sintetiza com rara precisão o espírito humanista de “Um réquiem alemão”, de Johannes Brahms, obra monumental que será interpretada esta semana pela Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, pelo Coro da Osesp e pelo Coro Contemporâneo de Campinas, na Sala São Paulo.

As apresentações acontecem entre os dias 21 e 23 de maio de 2026, sob a regência do maestro português Dinis Sousa, contando ainda com a participação da soprano Louise Foor e do barítono Vitor Bispo. Os concertos de quinta-feira (21/mai) com  início às 20h00, enquanto a apresentação de sábado (23/mai) ocorrerá às 16h30.

Promovida pela Fundação Osesp em parceria com o Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas, a programação integra a Temporada Osesp 2026 e traz ao público uma das mais profundas reflexões musicais sobre a condição humana, a dor da perda e a necessidade de consolo espiritual.

O título “Um réquiem alemão” deve-se ao fato de Brahms ter utilizado textos extraídos da Bíblia traduzida por Martinho Lutero, optando pelo idioma alemão em vez do tradicional latim empregado nas missas de mortos compostas ao longo da história da música sacra. Distanciando-se da visão aterradora do Juízo Final, Brahms constrói uma obra profundamente contemplativa e consoladora, enfatizando a esperança, a serenidade e a dimensão humana diante da inevitabilidade da morte.

Entre os movimentos do Réquiem, o público ouvirá ainda quatro peças de “Das Lesen der Schrift” [A leitura da escritura], do compositor contemporâneo Wolfgang Rihm. Escritas em diálogo direto com a obra brahmsiana, as miniaturas de Rihm oferecem um contraponto austero e meditativo, ampliando o universo emocional do Réquiem. Assim como Brahms dialogava com as cantatas sacras de Johann Sebastian Bach, Rihm estabelece uma ponte estética e espiritual com Brahms, inserindo sua composição de 2001 em uma conversa musical de quase երեք séculos sobre o luto, a memória e a transcendência.

O concerto de sexta-feira (22/mai) integra a série “Osesp duas e trinta”, com início excepcional às 14h30 e ingressos a preço único de R$ 50,00. Já a apresentação de sábado (23/mai), às 16h30, terá transmissão ao vivo pelo canal oficial da Osesp no YouTube.


Dinis Sousa - Diretor musical da Royal Northern Sinfonia (RNS) e fundador e diretor artístico da Orquestra XXI, já regeu a Royal Concertgebouw Orchestra, as Sinfônicas da BBC e da Rádio Sueca, as Filarmônicas Real de Estocolmo, de Liverpool e de Bergen, as Orquestras da Cidade de Birmingham, Sinfônica de Quebec, Nacional da Irlanda, da Ópera Real Dinamarquesa e de Ulster, além da Euskadiko Orchestra. Vencedor do Critics’ Circle Young Talent Award de 2023, Sousa conduziu com a RNS Das Paradies und die Peri [O paraíso e o Peri], de Robert Schumann, produção que recebeu crítica de cinco estrelas do The Times. Já colaborou com artistas como Víkingur Ólafsson, Masabane Cecilia Rangwanasha, Willard White, Nicky Spence, Stephen Hough, Benjamin Grosvenor, Pierre-Laurent Aimard, Sarah Connolly e Kristian Bezuidenhout. Em reconhecimento ao seu trabalho com a Orquestra XXI, recebeu o título de Cavaleiro da Ordem do Infante D. Henrique, em Portugal.


Comentários

Anônimo disse…
É impressionante como Brahms consegue transformar melancolia em algo quase acolhedor, sem perder a profundidade. Uma reflexão que faz ouvir a música com outros ouvidos.