Tribunal de Contas (TCM) cobra explicações sobre a nova gestora do Theatro Municipal de SP. ( Editado por Marco Antônio Seta )





Theatro Municipal não tem até agora o nome da sucessora OS que administrará o maior teatro de ópera de São Paulo.





                       sala de espetáculos do Theatro Municipal

Na sexta-feira (19), a Prefeitura recebeu um ofício do Tribunal de Contas do Município (TCM) que cobrou explicações em até 48 horas sobre a abertura de um novo chamamento público para definir a próxima gestora. O prefeito disse ainda que será necessário realizar um contrato emergencial para garantir a continuidade das atividades do complexo, até a conclusão do processo de licitação. Até agora, nada foi feito. 

A partir desta notícia auspiciosa, podemos afirmar que a Sinfônica da municipalidade de São Paulo vem sendo tratada com evasivas, sem o devido e necessário preparo técnico e musical por um maestro que não tem um compromisso sério, intenso e profundo com o gênero musical "Ópera". Uma vez mais ouvimos uma gravação de piano de cabaré no introito da obra de Gershwin, no acompanhamento do coro interno...; repetindo outrossim, aquela inaceitável cena de Nabucco, onde por duas vezes,  fez-se o mesmo ocorrer com uma banda sul palco (em gravação), desprezando assim a música e o músico "ao vivo", preterindo os músicos da orquestra sinfônica do próprio teatro ou ainda os alunos da Escola Municipal de Música, bem como  músicos da Orquestra Experimental de Repertório, se fosse o caso urgente da recorrência dos mesmos; situação esta, que não inflingiria, considerando-se que nesta ópera de Gershwin necessitava-se apenas de um piano surrado da época de 1920, cuja sonoridade se assemelharia aos cabarés de outrora... Não queremos ouvir gravação numa ópera ao vivo, onde pagamos os seus ingressos, por sinal, com antecedência para assistí-la. Neste "Nabucco" excluiu-se a intervenção do órgão Tamburini e a inserção da 2ª harpa na orquestra, conforme reza a partitura original de G. Verdi.  Efetuou-se assim, um acinte enganador e ludibriante ao público pagante do Municipal de São Paulo. 


(foto de Sergio Brisola) 

Preliminarmente há que se distinguir a concepção cenográfica de Marcelino Melo a qual se apoia na projeção das comunidades paulistanas da atualidade, gerando assim uma pobresa imensa no sentido físico e plástico do espetáculo. Vale frisar de que o cenário original desta ópera se prende a ricas mansões abandonadas dos antepassados, onde os pardieiros e personagens centrais da história ali passaram a residir. Igualmente os figurinos de Alexandre Tavera formam um carnaval colorido somando-se que a época original fora transportada para a nossa realidade atualizada,  acentuando também a diversidade e a pluralidade de nossas comunidades paulistanas. Seria então, esta a melhor opção para renovar a ópera-jazz, composta nos anos 30 do século passado ? George Gershwin gostaria disto ? 
A direção de cena de Grace Passô, apesar de um curriculum todo voltado para o teatro, nesta montagem, inteiramente feita no Brasil, a diretora Grace Passô traz elementos do contexto cultural e das comunidades das periferias brasileiras para a cena. Não é isto que o original dita e o resultado torna-se comum entre nós, nada criativo, obrigando-nos ainda a ver cenas do cotidiano de nossa capital, a megalópole de São Paulo. 



Órgão Tamburini 

"Assim torna-se difícil afirmar que o espetáculo é atraente, inédito e ainda não publicado, pois nada acrescenta à nossa capacidade de criticar e refletir sobre as inovações, assinalando-se que a obsessão em destacar a diversidade e a pluralidade, são problemas sociais, ( nada além do mesmo) e estamos diante de um teatro de ópera, cuja principal vocação é a perpetuação do canto lírico, com a sucessora premissa de cultuar, valorizar e reconhecer novos valores vocais nacionais e internacionais.
A iluminação de Wagner Antonio colaborou com o espetáculo, em inteligentes inserções luminárias. Mário Lopes, criador dos movimentos. assistido por vários bailarinos, realizou uma porção de micagens a bel prazer, exageradas e cansativas, diante da prolixidade e acentuação da pluralidade e a diversidade, friso obsessivo da diretora cênica ( nada além do mesmo )." Marco Antônio Seta.   

Comentários

Leda Prado disse…
Lendo a publicação, fica claro o sentimento de desgaste e revolta de quem acompanha de perto a vida cultural da cidade. O texto não critica apenas um espetáculo ou uma decisão pontual, mas a repetição de escolhas apressadas e mal justificadas, sempre amparadas por discursos administrativos.
É um desabafo direto, duro, mas compreensível: quando a gestão falha, a arte empobrece e o público é tratado como se não tivesse senso crítico. Pode incomodar pelo tom, mas levanta uma pergunta necessária sobre até que ponto a cultura pública está sendo realmente respeitada.